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Gestão do voluntariado Print E-mail

 

“Gestão do Voluntariado em meio prisional" é um projecto financiado pela Iniciativa Comunitária Equal e integrado na parceria PGISP (Gerir para Inovar os Serviços Prisionais).

As estratégias de investimento na ressocialização da população reclusa, a abertura à sociedade e uma clara orientação para o cliente foram inspiradoras deste projecto, desenhado e implementado em cinco Prisões Piloto desde 2005: Sintra, Leiria, Beja e duas em Castelo Branco.

1.   Problema

O diagnóstico elaborado permitiu detectar o seguinte:

>        A existência de uma resposta satisfatória no apoio voluntário religioso e quase inexistente em todas as outras área

>        Uma grande discrepância entre o apoio voluntário existente e o apoio desejado pelos reclusos

>        E ainda, a insuficiência de voluntários, traduzindo-se num número reduzido de reclusos/as apoiados/as 

2.   Objectivo

A partir do diagnóstico foi então decidido dinamizar o voluntariado no meio prisional, sendo o objectivo, até final de 2007, aumentar em 15% o número de voluntários nos Estabelecimentos Prisionais Piloto nas áreas de preferência dos reclusos, a saber: ligação com a comunidade de origem ou de inserção, competências pessoais e relacionais, desporto e estilos de vida saudáveis e ainda actividades educativas e formativas.

3.   Estratégia de Intervenção

Detectado o problema e definido o objectivo, foi então desenhada e implementada uma estratégia  de intervenção que assenta em seis pontos:

3.1 Auscultar a percepção de necessidades da população reclusa

Foi aplicado um inquérito, administrado por entrevistadores, a uma amostra de reclusos dos cinco Estabelecimentos Prisionais Piloto com o objectivo de medir as suas necessidades e expectativas relativamente ao apoio por parte de voluntários/as

 3.2 Nomear e formar gestores de voluntariado

Em cada prisão piloto foram nomeados e formados um/a gestor/a e um/a co-gestor/a de gestores de voluntariado (um Técnico/a e outro do Corpo da Guarda Prisional) de modo a articular competências operacionais chave.

3.3 Elaborar e implementar Programas de Gestão do Voluntariado

A elaboração dos Programas privilegia a co-produção ao integrar a perspectiva organizacional, a perspectiva da população reclusa e a dos voluntários.

 

Os Programas incluem:

-         estratégias de angariação de voluntários, acolhimento,

-         formação específica para o meio prisional,

-         áreas de intervenção tendo em conta a estratégia organizacional, as  expectativas da população reclusa e as aptidões dos/as voluntários/as,

-         estratégias de incentivo à permanência dos/as voluntários/as, incluindo o reconhecimento,

-         metodologia de avaliação.

3.4 Monitorizar Resultados

Foram elaborados planos de actividade para cada prisão piloto e os resultados são monitorizados trimestralmente. Do modelo de avaliação fazem parte os indicadores “número de reclusos por Estabelecimento Prisional apoiados por área de intervenção” e “número de voluntários de execução com regularidade e de execução ocasional por área de intervenção e por Estabelecimento Prisional”.

3.5 Avaliar a percepção de benefício

Verificar junto da população reclusa, dos/as voluntários/as e dos profissionais a receptividade da acção, bem como recolher sinais de correcção ao programado.

3.6 Divulgar o Progresso

Partilhar o progresso implica, entre outras actividades, afixar, em espaços de informação, gráficos com a evolução do número de voluntários e do número de reclusos/as apoiados/as por área, notícias relacionadas com a implementação do Programa no Estabelecimento prisional, fotografias, etc.

4.Resultados

No espaço de dois anos (2005 - 2007) foi possível aumentar em 82% o número de voluntários e em 51% o número de reclusos apoiados nos cinco Estabelecimentos Prisionais Piloto.

 As áreas que detêm actualmente maior número de voluntários e reclusos/as apoiados/as são o apoio espiritual e religioso, as competências pessoais e relacionais, a cultura e arte, o desporto e estilos de vida saudáveis e a ligação com a comunidade de origem e de inserção.

 Se atendermos às que apresentaram maior crescimento, temos em 1º lugar a ligação à comunidade de origem ou de inserção, que coincide com a preferência da população reclusa; em 2º a cultura e a arte e em 3º as competências pessoais e relacionais.

Apesar dos grandes desafios que ainda se colocam, nomeadamente terminar manuais técnicos e o modelo de avaliação, bem como garantir a transferência do projecto a todo o Sistema Prisional, consideramos que a evolução verificada é muito satisfatória e espelha a eficácia dos resultados obtidos junto dos destinatários.

 
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